Alguns de vós talvez se lembrem de uma experiência que eu comecei em Março inspirada por um vídeo que tinha encontrado no youtube e que partilhei convosco aqui.
Ora bem, está na altura de vos contar como correu a minha aventura no mundo das batatas em modo crescimento vertical. Este é um método que muitas vezes é referido simpaticamente como potato condo ou em Português, o condomínio das batatas.
A ideia principal é que em vez de se plantar a batata-semente no solo, planta-se no fundo de um vaso ou receptáculo e acrescenta-se terra à medida que a planta se desenvolve. Esta técnica deveria permitir o aumento do comprimento das raízes e consequentemente supostamente permitiria uma maior produção de batatas num espaço compacto. A verdadeira essência do condomínio das batatas pode ser levado ao extremo substituindo o vaso por uma estrutura em madeira modular à qual se vai acrescentando andares. Podem ver um exemplo com instruções neste post do blog Living Homegrown.
Eu utilizei 3 vasos de barro contendo cerca de 40L de terra e composto. Plantei 3 batatas pequenas, uma em cada vaso. Utilizei batatas que tinha em casa e que tinham começado a germinar. Fui enchendo o vaso com terra, camada a camada, acompanhando o crescimento da batateira. Isto foi um processo bastante rápido, com a planta a crescer loucamente de dia para dia!
Depois foi esperar… As minhas 3 batateiras deram plantas lindas, com imensas flores e folhagem abundante. Cada batata deu cerca de 3 caules principais. Uma das batateiras deu até origem a um fruto.
E nessa altura pensei numa coisa que nunca me tinha ocorrido – porque se plantam batatas a partir de novas batatas (tubérculo) em vez de a partir de semente? Hum…? Fui pesquisar! Por um lado descobri que não só o crescimento a partir de semente é muito lento, difícil e com um rendimento muito baixo. Por outro lado foi-me pacientemente explicado pela minha guapissima amiga Majoli – uma talentosa agrónoma Sevilhana – que o facto das principais variedades de batateira utilizadas comercialmente serem tetraplóides (4 pares de cromossomas) induz uma grande variabilidade no material genético das sementes. Isto quer dizer que podemos obter sementes que resultarão numa batata com características completamente diferentes do cultivar original.
E finalmente, as folhas foram-se tornando amarelas e os caules foram murchando e eu pensei: mãos à obra! Está na altura de ver o que estas lindas batateiras andaram a fazer estes meses todos.
Assim foi, enquanto que o meu simpático (e devo dizer também guapíssimo ou em Holandês mooi-íssimo ) vizinho me contava como iam as coisas “at work” ao sabor de uma biertje, lá estava eu escavando os meus três mega vasos e explorando as suas entranhas, soltando gritinhos histéricos a cada batatinha resgatada. E tenho que dizer que foram muitos os gritinhos…(bela impressão que eu devo ter deixado ao meu vizinho…).
Et voilà, de 3 batatinhas com mais ou menos 200g em total, fui descobrir 2.5 kg de batatas de todos os tamanhos. Nada mal, hein?
E a parte cómica é que por ter começado a cultivar estas batatas quando a minha mãe estava de visita a esta maravilhosa terra de Alkmaar, resolvi levar umas batatinhas quando fui agora de férias a Portugal (vida de imigrante) para ela poder saborear os louros da minha experiência. Era o Tiago (meu marido – também mooi-íssimo! 😉 ) que levava as batatas na mochila e que foi parado pela segurança no aeroporto porque aparentemente transportava demasiados electro-gadgets com ele e queriam fazer uma inspecção. Imaginem agora a cara da senhora segurança, muito compenetrada nas suas funções, que esperando encontrar armas, bombas, venenos, droga etc. abre um pequeno saquinho com as minhas pequenas batatinhas….Haha!



