Compostor na varanda? Bring it on!

Quando se começa a ter um jardim, por mais pequeno que seja, começamos a ter vários resíduos orgânicos. Claro que se for apenas um vasinho ou dois, podemos sempre deitar esses resíduos para o lixo comum, mas se for um pouco mais – porque não nos aventurarmos no mundo da compostagem urbana?

É possível? Sim!

A compostagem passa pela decomposição e mineralização de material orgânico por bactérias, por fungos e por alguns tipos de animais chamados detritívoros ou saprófogos. As bactérias podem trabalhar com ou sem oxigénio (aeróbio ou anaeróbio) e geralmente as reacções biológicas que ocorrem geram calor. Uma pilha de composto pode chegar a aquecer até aos 60/70ºC o que acelera o processo de decomposição e ajuda a inactivar algumas bactérias causadoras de doenças ou patogénicas.  Os fungos em geral alimentam-se de matéria orgânica e em particular de matérias com celulose. Os animais saprófogos incluem as minhas amigas minhocas, os bichos-de-conta, larvas de mosca e são capazes de assimilar grandes quantidades de matéria orgânica.

compostor_5

É um processo extremamente complexo que permite transformar resíduos de jardim num aglomerado de nutrientes, ácidos húmicos e minerais e reciclá-los de volta aos nossos vasos ou jardim.

Quando montei o meu jardim no terraço comecei a pensar como iria fazer para reaproveitar todos estes resíduos que o meu “jardim” ia criando. Não queria comprar os típicos compostores de plástico que também se vêm à venda em Portugal porque são demasiado grandes para um espaço como este. Queria algo pequeno mas que tivesse as características principais essenciais:

  • material permeável para poder drenar excedente de líquido e para haver arejamento
  • máximo 20-30L
  • manuseio fácil
  • baixo custo

Até que encontrei a solução perfeita! Um saco pop-up para folhas, ao qual adaptei uma pequena tampa. Podem encontrar um saco semelhante por exemplo aqui.

compostor_3

O processo de compostagem tradicional deveria ser feito com um volume de resíduos ligeiramente maior para conseguir acumular o calor gerado. Por isso mesmo decidi introduzir uma quantidade de cerca 250g de minhocas do meu vermicompostor e criar um processo entre a vermicompostagem e a compostagem tradicional.

Como é que mantenho o compostor?

  • Adiciono uma camada de cartão cortado no fundo para reter líquidos (e é uma óptima oportunidade de reciclar cartão)
  • Adiciono os resíduos vegetais à medida que os vou produzindo, incluindo resíduos da cozinha
  • Evito deixar resíduos de cozinha (frutas, restos de vegetais cozinhados …) que podem gerar cheiros ou atrair moscas no topo da pilha. Quando os adiciono ou os cubro com cartão cortado ou os enterro na pilha
  • Remexo a pilha uma vez por mês. Despejo tudo e volto a encher. Isto permite arejar a pilha, desfazer e homogenisar a matéria em decomposição e ir descobrindo que bichinhos andam por lá na vidinha deles…
  • O compostor está assente em cima de uma grelha (no meu caso de esferovite) para permitir a circulação de ar por baixo

compostor_6

composto_2

O que posso adicionar ao compostor?

  • A regra básica e ainda mais num caso de um compostor de terraço/varanda é não adicionar nada que possa criar cheiros maus como cebolas, alhos etc.
  • Não adicionar matérias processadas ou cozinhadas. Isto inclui produtos lácteos, carne, peixe, massas … Estas podem aumentar a probabilidade de maus cheiros além de outros animais curiosos (aka ratinhos)
  • Não adicionar sementes ou plantas doentes
  • Não adicionar excrementos de animais domésticos como cães ou gatos pois se a pilha não for bem maturada pode propagar doenças
  • Tentar manter o rácio C:N de 30:1. Isto quer dizer que para cada átomo de azoto (N) existem 25 átomos de carbono (C). Para vos dar uma ideia vejam os rácios do que contém algumas das coisas que podemos adicionar. Mais valores podem ser encontrados aqui.

C-N

 

Quando recolher o composto?

O composto deve-se deixar decompor e maturar bem para que possa fornecer as melhores qualidades ao solo. Os ácidos húmicos vão ajudar a reter nutrientes e vão dar uma melhor estrutura ao solo. As bactérias do composto vão dar vida ao solo e ajudar a manter raízes saudáveis. Bom composto leva uns meses a fazer, até mesmo 1 ano. Quando toda a matéria orgânica estiver irreconhecível, com excepção de alguns troncos que se podem separar facilmente, deixar estar mais 1 mês ou dois para estabilizar e depois utilizar nos vasos directamente e/ou misturado com terra de compra.compostor_4

Onde manter o meu compostor?

Numa varanda ou terraço, de preferência à sombra.

Para mim é uma sensação incrível não ter que deitar todos estes ramos de coisas que já produzi fora, como todos os pés de couve/bróculos, as favas etc. Posso simplesmente armazená-los e vê-los transformar-se em composto.

Fica a ideia! 🙂 Boa semana!